
Fallout 4
Buy GameConheçam Erik Deitrick, Senior UI Programmer na Bethesda Game Studios
Fallout 4
Buy GameTendo trabalhado em vários títulos da Bethesda Game Studios ao longo dos anos, Erik Deitrick já deixou sua marca em Fallout, The Elder Scrolls e Starfield.
Confiram, abaixo, um pouco da história de Erik na Bethesda Game Studios e saibam qual sua função como Senior UI Programmer.
O que você fazia quando começou na Bethesda Game Studios?
Comecei aqui em 2005, então... estou aqui há 17 anos! Comecei direto na UI. Não tinha muita experiência com UI, mas eles precisavam de gente para trabalhar com isso. Faltava tipo um ano para o lançamento de Oblivion. Eu implementei alguns menus e os minigames de persuasão e arrombamento. O jogo de arrombamento era bem interessante e, quando eu comecei, era para ser um jogo de memorização. Ao começar o jogo, a ordem dos pinos da fechadura era embaralhada, e o jogador quebrava ferramentas de arrombamento até descobrir a ordem certa para levantar todos os pinos. Mas queríamos algo diferente, e uma das ideias foi que os pinos seriam empurrados para cima, e o jogador teria que tentar abrir quando estivesse na posição correta para destravar. O problema é que isso era muito fácil. Se você já jogou aqueles jogos de ritmo, sabe que as coisas ficam fáceis quando se pega o timing. No fim, acabei dividindo os pinos em 3 velocidades (lento, médio e rápido) e depois embaralhei as velocidades. Assim, só se você fosse paciente e aguardasse o movimento lento, teria uma janela de tempo para reagir e ter uma boa chance de arrombar a fechadura. Ao fim do processo de desenvolvimento, ainda achava muito fácil e conseguia arrombar as fechaduras de olhos fechados, usando apenas o som. Porém, os comentários sobre a dificuldade do jogo foram... diversos. Acho que 8 ou 10 anos após o lançamento de Oblivion, eu estava sentado num bar e alguém percebeu que estava com um casaco da Bethesda Game Studios, e quando descobriu com o que eu trabalhava, disse: “*** por sua culpa, perdi todas as minhas ferramentas de arrombamento!”. Já faz três anos desde que ouvi algo do tipo...
Qual o projeto favorito em que você trabalhou?
Enquanto trabalhava no Skyrim, lembrei dos meus tempos de escola, de quando havia comprado Wolfenstein e estava explicando a um amigo como o jogo era maravilhoso e ele precisava jogar. Foi o primeiro FPS que joguei, então fiquei muito impressionado. De qualquer modo, disse ao meu amigo que adorei, mas o que realmente queria era algo parecido, mas em um mundo medieval, com espada e escudo enquanto lutava em uma masmorra. Trabalhar em um jogo que você quer jogar desde os tempos de escola é incrível.
Qual foi o seu primeiro projeto na indústria de jogos?
O primeiro jogo em que trabalhei foi Tarzan Untamed, da Ubisoft. Passou muito tempo até o jogo ser lançado, então acabei não jogando no lançamento. Apenas anos depois, quando estava na Cartoon Cuts (que é uma barbearia infantil em que as crianças assistem desenhos e jogam videogame enquanto aguardam), que vi o produto final. Lembro de pensar se algum dos meus códigos ainda estava no jogo enquanto ficava observando a criança jogando. Tentei convencê-la de fazer Tarzan pular e se balançar em um cipó. Sem dúvida, a criança deve ter ficado confusa com um adulto dizendo como jogar e no fim apenas me deu o controle pra eu parar de incomodar. Enfim, fiquei emocionado em descobrir que os cipós funcionavam exatamente como eu havia projetado.
Conte-nos sua história de trabalho favorita.
Ah, essa é uma longa história. Senta aí!
Depois do lançamento de Skyrim, tive o prazer de passar um fim de semana inteiro ajudando o personagem do meu filho a se casar no jogo. Eu disse a ele que, ao casar, sua esposa poderia abrir uma loja e ganhar dinheiro enquanto você estava fora se aventurando. Só isso já o convenceu: ele iria se casar. Ele tinha 6 anos na época, talvez 7, e jogava de um jeito que a maioria dos NPCs não gostava dele. Depois de falar com ele sobre pegar o Amuleto de Mara, passamos de NPC em NPC para ver se conseguíamos alguém pra casar com ele. Foi engraçado, pois aprendi muitas coisas com isso, tipo o que ele procurava em uma esposa. Seu critério era: “alguém com um rosto bonito e uma bela voz, que não queira me matar”.
Tragicamente, todos os NPCs odiavam ele. Lembrei que Mjoll, em Riften, te manda para uma missão para encontrar a espada dela, então pensei que, se ele fizesse a missão e encontrasse a espada, talvez ela se casasse com ele! Bom, encontramos a espada, concluímos a missão dela e ela estava disposta a casar com ele! Mjoll tinha um aliado, Aerin, em Riften, e ele tinha algumas linhas de fala tipo: “Nunca vi Mjoll tão triste” ou “Um dia vou embora daqui”. De qualquer forma, meu filho conseguiu se casar, saiu da igreja e encontrou Aerin, que disse: “Nunca vi Mjoll tão triste”. Foi um momento infeliz, mas continuamos. Porém, quando meu filho a levou para sua casa, em Whiterun (que também abrigava a Lydia), Aerin se mudou também. Tragicamente, ele continuava com seu diálogo de Riften, então meu filho andava em volta da sua casinha, em Whiterun, com mais 4 pessoas e ouvia: “Nunca vi Mjoll tão triste” ou “Um dia vou embora daqui”. Meu filho se irritava todas as vezes. Ele sugeriu que a gente convidasse o Aerin pra caçar e “fizesse parecer um acidente”. Eu disse que a gente não podia matá-lo, senão ele ficaria como procurado, então a solução seria ter uma casa maior. Sugeri uma bela casa, em Windhelm, que seria grande o bastante para ele não encontrar Aerin tão seguido. Assim, fomos fazer a missão para conseguir a casa, mas havia algo de errado, então sugeri que avançássemos na missão da guerra civil para conseguirmos comprá-la. Fizemos a missão e chegamos na parte que ele tinha que atacar Whiterun. Eu saí um pouco para fazer o jantar enquanto ele jogava e, de repente, ouvi ele gritando lá embaixo. Parei de fazer o jantar, desci as escadas e encontrei ele sentadinho com o jogo pausado, com lágrimas correndo no rosto. Perguntei o que tinha acontecido, e ele falou: “Tem luta e fogo pra todo lado, e não sei se meu cavalo tá bem, também não sei se Mjoll tá bem, só queria que tudo estivesse bem”. Eu disse a ele que havia um ponto de salvamento para voltar e peguei o controle dele para mostrar que o cavalo estava bem (mesmo com bolas de fogo explodindo em volta). Ele me fez ganhar a batalha para ele e qualquer personagem diferente que eu eliminava, ele dizia: “Acho que era ele, acho que era o Aerin, ele estava lutando pelo cara malvado. Você o matou!”.
Assim que terminei a batalha, ele simplesmente não conseguiu abrir a porta da casa. Daí, fizemos o restante da missão com o jarl e tentamos entrar na casa novamente. Ele finalmente conseguiu entrar e, assim que atravessa a porta, encontra Aerin dizendo: “Eu realmente deveria sair desse lugar”. O grito gutural que meu filho deu nesse momento me fez pensar que o controle iria se despedaçar nas suas mãos. Enfim, se algum modder por aí quiser fazer um mod em que se possa convidar alguém para caçar e matar essa pessoa sem ganhar status de procurado, há ao menos uma pessoa que iria baixar.
Qual é a sua parte favorita em trabalhar na Bethesda Games Studios?
As pessoas com quem trabalho. Eu poderia trabalhar em um jogo que não gostasse, contanto que eu gostasse das pessoas... mas jamais poderia trabalhar em um jogo que amasse com pessoas terríveis. Por sorte, tenho o prazer de trabalhar com jogos e pessoas que gosto.
Há muitos trabalhos que você pode descrever o que faz, e a maioria das pessoas simplesmente não entende. O fato de eu trabalhar com videogames e ter um produto final para o qual apontar e que milhões de pessoas jogaram é muito gratificante.
Qual foi sua contribuição preferida à série Fallout?
Trabalhei em Fallout 3, Fallout 4 e Fallout 76. Passei muito tempo na IU do Pip-Boy no 3 e no 4. Esqueçam o modo sobrevivência: se quiserem um verdadeiro desafio, passem o app do Pip-Boy a uma criança enquanto jogam. Não há nada como ter suas armas e armaduras trocadas por qualquer coisa que ela ache engraçado durante um tiroteio.
Mas minha contribuição favorita acho que foi ajudar no design do minigame de hackeamento de Fallout 3. O design original era basicamente um jogo de reflexo, em que o temporizador fazia uma contagem, e o jogador ia inserindo diferentes letras na senha em um curto espaço de tempo. Quando pensamos em alternativas, lembrei de um jogo que pedi emprestado ao namorado da minha irmã na época da escola (depois de ele ter virado). Acabou que ele me deu uma cópia do jogo e do arquivo executável aberto em um editor hexadecimal onde estavam as senhas. Eu tinha que procurar naquele mar de palavras para encontrar as senhas e testá-las. Usei aquela experiência e adicionei outros elementos que já havia feito e, juntando tudo, esse foi basicamente o modelo do minigame de senhas que foi lançado. Eu acabei comprando o jogo na época da escola, pois procurar naquelas páginas era um saco, mas o minigame acabou ficando bem legal.

Você tem uma história ou interação favorita da comunidade?
De vez em quando, jogo Fallout 76 com minha filha. Digo, “de vez em quando” porque ela gosta de ficar andando, colhendo flores e dando elas para mim, além de pegar todos os meus recursos para construir os C.A.M.P.s dela. A maioria deles acaba com instrumentos musicais no telhado, e o máximo de contêineres que ela consegue empilhar no primeiro andar. Teve uma vez que eu estava vendo ela construir o C.A.M.P. dela, logo abaixo da colina do Refúgio, e um jogador de nível mais alto veio e deu a ela muitas receitas. Eu vi o cara pacientemente tentando fazê-la entender que ele estava dando várias receitas pra ela e ela só tinha que pegá-las. Mas ela não dava ouvidos, totalmente preocupada em adicionar contêineres na casinha de um só cômodo dela e sem estações de criação. Esse tipo de paciência e ajuda é algo que me surpreende, e foi uma coisa que vi muito no 76.
Em qual jogo que você está trabalhando e quer que todos vejam?
Estou trabalhando muito em Starfield, e quero muito que as pessoas o vejam.
Nosso muito obrigado ao Erik por ter reservado um tempinho para responder às nossas perguntas. Caso tenha interesse em trabalhar com o Erik, ou outras pessoas na Bethesda Game Studios, visitem nossa página de cargos disponíveis e mandem seu currículo hoje mesmo!