
Entrevista com o compositor Benjamin Shielden
A música se comunica com cada um de nós de jeito diferente.
Como discutimos em nosso artigo sobre a produção de música para os jogos da Arkane, a música é que dá o tom de uma cena e conta uma história. Com o Box Set de Vinil de Dishonored chegando para as suas coleções em agosto, tivemos uma conversa com um dos contadores de história por trás do tributo a Dishonored no Box Set, o compositor francês Benjamin Shielden, sobre o que o inspirou a produzir música para o mundo e Dishonored e como ele deu os primeiros passos.
Nos conte um pouquinho sobre você.
Eu sou Benjamin Shielden, um escritor, autor e compositor francês. Minha vida é dedicada à criação, na minha mente, minha realidade e em tudo que está entre as duas. Costumo desenvolver conceitos para filmes, programas de televisão e para identidade de marca, mas jogos são um mundo ao qual eu definitivamente quero me dedicar mais no momento.
O que atraiu você a Dishonored, de uma perspectiva musical? Quais aspectos específicos dos jogos inspiraram os elementos temáticos principais na sua música?
Meu primeiro trabalho com jogos foi com A Blind Legend, um jogo maravilhoso sem nenhum aspecto visual. Provavelmente foi isso que me levou ao universo de Dishonored (que é, de certa maneira, o completo oposto), onde tudo é belo e a arte é muito visível. Mas também teve a ver com o Daniel Licht, com quem eu tinha contato no começo de minha carreira. Sou um grande fã desse homem e da música dele, então imediatamente aceitei a oportunidade de trabalhar com ele. Foi extremamente recompensador criar conceitos musicais para este mundo, especialmente com um mestre como o Daniel.
O mundo em si e seus habitantes foram uma grande inspiração para a minha música. A direção de arte em Dishonored é tão incrível e profunda. Ela, de certa forma, é uma transcrição perfeita da humanidade: um misto de beleza e violência. A dança eterna da sombra e da luz. Mais do que só entretenimento, Dishonored me marcou como uma jornada para um mundo que todos nós queremos visitar.
Se pudesse escolher apenas um instrumento, qual diria que combina melhor com Dishonored?
Enquanto trabalhava nos meus arranjos, eu estava imaginando a cor do próximo jogo e honrando o legado do Daniel, enquanto buscava uma nova associação de instrumento para trazer à série. Posso dizer, devido à direção do Daniel, que o instrumento que mais se encaixa em Dishonored é o cimbalom. É o eco musical exato do mundo de Dishonored. É um instrumento de metal e virtuosidade, como Dunwall.

Os diferentes locais e temas dos jogos estão refletidos de forma distinta na sua música?
Mas é claro! Cada música precisa refletir um lugar e uma sensação diferente. “Ice Ocean” descreve o cenário específico que Sebastien [Mitton, Diretor de Arte na Arkane Lyon] imaginou. “Dunwall” e “Curse” são sobre o destino final desta cidade e da sociedade nela. “Like a Shadow” foi composta para que fosse possível sentir os movimentos de Corvo: a respiração dele, seus batimentos cardíacos enquanto ele caminha por um corredor e o exato momento em que ele decide agir. Do mesmo modo, “Doubt” e “Oath” são momentos essenciais onde a cor do céu se altera e o mundo está prestes a mudar para sempre devido a uma única e terrível escolha.
O tema principal das minhas composições neste conjunto de vinil é minha transcrição musical do legado e da elegância de Attano e Caldwin.
Como é que se compõe música para uma propriedade que já existe?
Foi a primeira vez que tentei fazer algo assim, mas eu era um fã tão grande do Daniel Licht que acabou não sendo uma tarefa tão difícil assim. Daniel contribuiu tanto para o mundo de Dishonored que eu senti que não havia como errar ao seguir os passos dele. Estes jogos foram criados por gente tão talentosa que foi fácil desenvolver ainda mais as ideias, sons, melodias e tons que já existiam.
Você trabalhou muito na indústria dos filmes. Qual é a diferença entre fazer música para filmes e para jogos?
É muito diferente devido à maneira como os jogos utilizam a música. Quando você compõe para uma cena com eventos programados é bastante similar, mas quando é para momento nos quais você está realmente jogando e agindo com liberdade, é um processo muito diferente. Você precisa imaginar sua música como uma faixa interminável composta por diversas camadas diferentes que podem ser adicionadas e removidas para expressar diferentes emoções e ações. É um grande desafio, mas já que adoro jogos de aventura, foi um processo muito agradável e recompensador.
Por que você optou por fazer esse tributo? Qual era o resultado que você esperava?
Ele foi criado originalmente para testar algumas ideias nas quais a Arkane Studios estava trabalhando em certa época. Depois, todos nós ficamos de luto com o trágico falecimento de Daniel, e eu decidi terminar os trabalhos como um tributo a ele e a seu trabalho incrível neste universo. Foi uma honra poder seguir os passos dele. É claro, quando você está sendo comparado diretamente a alguém que ama e respeita... bem, é um desafio e um momento revelador. Acho que conseguimos fazer um bom trabalho e que conseguimos prestar nossa homenagem a um grande homem.

Descubram mais sobre a música do Benjamin Shielden no site oficial dele, e o Box Set de Vinil de Dishonored pode ser reservado aqui.