
Comemorando o Mês da Herança Hispânica na Bethesda
Juntem-se à nossa comemoração do Mês da Herança Hispânica com uma conversa com Andrew Siañez-De La O, Stage/Audio Dramatist e Writer-Designer na ZeniMax Online Studios; Roddy Colón, Associate Social Media Manager; e Ricardo Graham, Lead Character Artist em The Elder Scrolls Online.
Esses importantes membros da família Bethesda falam sobre o que significa herdar o legado hispânico, a importância do orgulho cultural, as experiências pessoais que viveram e como elas impactaram a carreira de cada um na Bethesda.
Agradecemos a todos por terem dividido conosco essas histórias e experiências.
Fale um pouco sobre você e a sua trajetória.
Andrew Siañez-De La O: Como um mexicano-americano criado na fronteira (um salve para El Paso, Texas), eu sinto que a minha herança é como uma TV velha que não pega direito. Ela oscila entre os dois lados da fronteira sem nunca se sentir totalmente em casa. Ela é transitória e nebulosa, mas também livre na forma como se adapta ao meu crescimento pessoal e à minha relação com a minha cultura.
Anexei aqui uma foto minha atual e duas mais antigas que acho que ilustram bem de onde eu vim. Uma é da minha infância no bairro El Sala de El Paso; já a outra mostra a minha família no início do século XX, poucos anos antes de se juntarem à Revolução Mexicana.
Andrew Siañez-De La O
Roddy Colón: Meu nome é Roddy e faz alguns anos que trabalho na Bethesda. Eu comecei no nosso departamento de controle de qualidade e hoje faço parte da equipe de marketing de comunidade, atuando como Associate Social Media Manager (ou “artista gente boa da vizinhança”, como prefiro chamar). Eu nasci no exterior, em um dia de 35 ºC em San Juan, capital de Porto Rico. Porto Rico é uma ilha caribenha localizada entre a América do Norte/Central e a Europa (basicamente uma Númenor), então a nossa herança e a nossa cultura vêm de uma mistura de vários povos de descendência europeia e africana ao longo de quinhentos anos de migração. Meus antepassados vieram da Espanha, da Itália e de várias partes do Caribe.

Roddy Colón
Ricardo Graham: Meu nome é Ricardo Graham, mas todo mundo me chama de Rico. Sou o Lead Character Artist de Elder Scrolls Online. Minha mãe é porto-riquenha e meu pai é branco. Eu cresci em um lar majoritariamente hispânico e cercado pela culinária porto-riquenha, com muito arroz e feijão, plátanos, empanadillas, pasteles e tostones. Ah, e mofongo, claro!

Ricardo Graham
De onde vem o seu orgulho cultural?
Siañez-De La O: Sem querer ser dramático – embora o melodrama faça parte da identidade mexicana – ele vem da forma como a minha herança cultural praticamente me assombra. Ela é uma longa história de traumas e ansiedade social intergeracionais combinados com a resiliência e a perseverança de cada pessoa que veio antes de nós. Talvez esse seja um jeito poético de dizer que o povo mexicano desafia e sempre desafiará seus opressores para continuar evoluindo.
Colón: A mistura de culturas, pratos, estilos, músicas e tradições é algo que eu queria que mais pessoas apreciassem. Já visitei e vivi em muitos lugares diferentes no mundo, mas existe um calor, uma franqueza genuína e uma paixão sincera que só vi em alguns poucos lugares. A meu ver, o ato de acolher as tradições dos outros e celebrá-las como parte das nossas faz aflorar o que nós temos de melhor.
Graham: O que eu mais amo é a comunidade e o amor que as culturas hispânicas trazem. Quando se vai para a ilha, o que se vê é todo mundo se ajudando, principalmente em tempos de crise como quando ocorrem furacões. Os porto-riquenhos já superaram muita coisa e são conhecidos por sua resiliência frente às dificuldades. Outra coisa que adoro é a nossa culinária. As pessoas gostam de preparar tudo fresquinho, já que a maioria dos ingredientes são cultivados ali mesmo, na ilha!
Qual elemento da sua herança você gostaria de apresentar a alguém que desconhece a cultura?
Siañez-De La O: O filme de Alfonso Cuarón “Y tu mamá también” (2001) é um ótimo ponto de partida pelo retrato que faz da adolescência mexicana e a forma como analisa questões de classe e masculinidade. Outra boa pedida é ouvir Juan Gabriel ou Selena, dois artistas que redefiniram o que a música mexicana poderia ser. Fora isso, até um copo da legítima água fresca caseira (a receita com pepino e limão é a minha preferida) pode ser uma provinha da herança mexicana.
Colón: Quem gosta de ganhar presentes do Papai Noel vai adorar saber que os porto-riquenhos têm um outro feriado parecido em janeiro (Dia de Reis), em que se deixam presentes ao cair da noite para a família abrir no dia seguinte. Para não falar de várias outras coisas ótimas, como a música, a comida, os dias de praia, ouvir alguém falar “Los Elder Scrolls”, enfim.
Outras curiosidades de Porto Rico...
- A piña colada foi inventada na capital, San Juan.
- Miles Morales é porto-riquenho por parte de mãe no universo Marvel.
- O conquistador Ponce de León, que buscava a fonte da juventude, está enterrado em San Juan.
Graham: A primeira coisa que eu recomendaria seria provar a comida. A culinária porto-riquenha é extremamente saborosa, e a ilha tem restaurantes maravilhosos! Acho difícil alguém comer melhor do que em alguns dos restaurantes com estrelas Michelin de San Juan. Outra coisa que eu indicaria é o nosso incrível café! Várias variedades porto-riquenhas de café moído levam toques de chocolate ou frutas para enriquecer ainda mais o sabor.
Há vários porto-riquenhos famosos que trabalham ativamente para ajudar a comunidade hispânica. Um dos que eu mais admiro é Lin-Manuel Miranda, que escreveu e estrelou a peça Hamilton. Ele pegou uma história que era majoritariamente caucasiana e a reimaginou com um elenco diverso. Além disso, ele ajudou a criar o filme Encanto, que permite que crianças hispânicas se enxerguem em personagens que se parecem com elas.
Por fim, eu também apresentaria as pessoas à nossa música. O reggaeton é um dos gêneros mais populares, podendo ser ouvido em qualquer parte de Porto Rico que se visite. As pessoas botam para tocar a todo volume nos carros, nas esquinas, nos barcos e até na beira da praia.
Como a sua herança cultural influenciou a sua carreira ou o seu trabalho na Bethesda?
Siañez-De La O: A maior parte da minha produção escrita se concentrou em roteiros de teatro e radioteatro, então eu sempre abordei o trabalho como a criação de narrativas e oportunidades que refletissem a minha herança fronteiriça. Acredito firmemente que essa minha perspectiva aprofunda as histórias que escrevo – sejam elas de ficção científica, cotidiano ou fantasia – e ajudam a ampliar o entendimento que a minha audiência tem do que uma narrativa latina pode ser.
Colón: O melhor jeito de descrever a minha cultura é como um caldeirão de várias tradições distintas, e isso se reflete muito na minha própria arte/trabalho também. Eu desenvolvi um estilo rápido que combina animação japonesa com quadrinhos Marvel/DC e resulta em algo que é ao mesmo tempo parecido e diferente. Também tenho um estilo mais vagaroso que mistura pintura neoclássica tradicional com renderizações 3D para perspectiva e luz. Essas combinações talvez pareçam estranhas, mas funcionam muito bem. Na minha visão, criar arte é o processo de consultar um amplo acervo de experiências e inspirações próprias e então representá-las visualmente. Eu adoro criar obras alegres e vibrantes, cheias de personagens que estejam simplesmente se divertindo ou sendo eles mesmos, e isso, na minha cabeça, soa muito como um dia descontraído em que se ouve a canção das ondas na beira da praia.
Graham: Eu cresci em um típico lar hispânico pobre. Meus pais nunca concluíram o Ensino Médio e eu me determinei a sair daquela vida. Criar arte deixou de ser uma simples paixão e se tornou uma obsessão. Eu tinha para mim que, se trabalhasse duro e desse tudo de mim, isso me garantiria uma vida melhor que eu então poderia proporcionar à minha esposa e meus filhos. Quando entrei na indústria de jogos, eu percebi que tinha bem pouca gente parecida comigo, especialmente nos cargos de gerência mais altos. Isso me inspirou a seguir uma carreira de liderança. Eu tive vários motivos para trilhar esse caminho, mas um deles foi a vontade de encorajar outras minorias a fazerem o mesmo. Diversidade importa para mim, e é algo que com certeza me impele a fazer o que faço. Quando era pequeno, eu jamais imaginaria que chegaria até aqui. Muitos de nós não sabem sequer que isso é possível. Graças à ZeniMax e a algumas pessoas incríveis da gerência, eu recebi a oportunidade de seguir esse caminho. Tem sido uma jornada incrível.
O que o Mês da Herança Hispânica significa para você?
Siañez-De La O: Acho que, para mim, é um momento tanto de honrar nosso legado e impacto quanto de abrir espaço para a próxima geração. De celebrar as pessoas que fazem e fizeram história, sem dúvida, mas também de amplificar novas vozes. Se eu fosse dar um dever de casa, seria ver um filme ou ler um livro feito por uma nova voz e então dividir isso com um amigo.
Colón: Um momento de perceber a conexão profunda que tenho com meus avós e bisavós. De ver como outras culturas do Caribe, das Américas do Sul e Central e de partes da Europa são, na verdade, apenas versões alternativas das nossas tradições, costumes e crenças.
Graham: Para mim, o Mês da Herança Hispânica é um momento de o povo hispânico mostrar o orgulho que sente de ser quem é. É uma oportunidade de educar nosso povo sobre a nossa cultura, a nossa história e as nossas tradições.
Gostaria de dizer mais alguma coisa?
Colón: Na minha infância no Caribe, eu tinha a esperança de um dia trabalhar com videogames, mas não fazia a menor ideia de como chegar lá. Na época, todos os meus jogos favoritos tinham personagens de nomes completamente diferentes do meu (admito, porém, que Roddy é um nome esquisito). Pessoas que abrem caminho para os outros ajudam pessoas como eu a sonharem alto. Tenho sorte, sou grato e me orgulho muito em dizer que, se isso se tornou realidade para mim, com certeza pode se tornar para vocês também.
Graham: Porto Rico está enfrentando um furacão devastador no momento. A população está sem luz e sofrendo com enchentes e deslizamentos. Peço a todos que rezem por eles nesses tempos difíceis.